Qual foi a cirurgia que Guga precisou fazer?

A lesão que forçou Gustavo Kuerten a encerrar sua carreira precocemente estava localizada no lado direito do quadril. Uma inflamação no labrum acetabular, uma fibrocartilagem que recobre a articulação do quadril, acabou rompendo-se e causando dores intensas no tenista.

Inicialmente, ele foi tratado com fisioterapia, mas, sem sucesso, foi submetido à sua primeira cirurgia em fevereiro de 2002. Realizada por artroscopia pelo médico Thomas Byrd, a cirurgia removeu toda a cartilagem desgastada.

Mesmo assim, Guga continuou convivendo com dores. Na segunda cirurgia, em setembro de 2004, o médico Mark Philippon corrigiu um problema ósseo que bloqueava a movimentação completa do quadril e provocava dor.

A recuperação foi longa, durando seis meses, e incluiu várias etapas, como o pós-operatório, fortalecimento muscular, recuperação do equilíbrio e ajustes técnicos para corrigir as posturas adotadas para compensar as dores.

Tentativa de retorno

Após sucessivos fracassos desde o Aberto do Brasil até o Torneio de Buenos Aires em 2002, Guga optou por realizar a primeira cirurgia. Ficou afastado por dois meses e meio e, ao retornar, alcançou as oitavas de final em Roland Garros. No segundo semestre, conquistou o título do Aberto do Brasil e foi vice-campeão em Lyon, mostrando sinais de recuperação.

Em 2003, Guga iniciou a temporada com mais força, intensificando seu treinamento de musculação na pré-temporada. Foi campeão em Auckland, vice em Indian Wells e chegou a figurar entre os dez melhores na Corrida dos Campeões. No entanto, teve um desempenho abaixo do esperado na temporada de saibro, sendo eliminado nas oitavas de final em Roland Garros.

No segundo semestre, conquistou seu primeiro título no carpete (São Petersburgo) e demonstrou que o ano seguinte poderia ser promissor.

Apesar de terminar 2003 entre os 20 melhores do mundo, Guga nunca se sentiu totalmente confortável em quadra. Iniciou 2004 com o bicampeonato do Aberto do Brasil, mas enfrentou dificuldades na temporada de saibro, desistindo de dois Masters Series (Monte Carlo e Roma). Em Roland Garros, chegou às quartas de final, derrotando Roger Federer, mas passou o torneio inteiro queixando-se de dores e cansaço.

No segundo semestre, já sentindo que não suportaria mais o ritmo das competições, foi eliminado na estreia das Olimpíadas por Nicolas Massú e caiu na primeira rodada do US Open.

Diante dessa nova realidade, Guga decidiu que não continuaria competindo. Ainda acreditando que poderia recuperar a forma dos “velhos tempos”, submeteu-se a uma nova cirurgia, preferindo encerrar a carreira do que ser apenas um coadjuvante no circuito.

Porém, as coisas não saíram como planejado. Guga acreditou que poderia continuar no circuito sem um técnico, desfazendo uma parceria de 15 anos com Larri Passos. Passou a focar mais na fisioterapia, contratou o treinador argentino Hernán Gumy, mas, após resultados decepcionantes em 2005, iniciou 2006 com otimismo. Contudo, após perder o patrocínio do Banco do Brasil, foi eliminado na estreia do Aberto do Brasil pelo desconhecido André Ghem.

Ficou claro nesse torneio que, apesar de todo o esforço e preparação, Guga ainda enfrentava sérias dificuldades de movimentação, o que o deixava vulnerável diante dos adversários. Em 2007, tentou uma reconciliação com Larri Passos, mas estava distante do sucesso que ambos alcançaram no final dos anos 90 e início dos anos 2000.

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