Novak Djokovic faz cobrança após caso de doping envolvendo Jannik Sinner
O acordo entre Jannik Sinner e a Agência Mundial Antidoping (WADA) continua gerando repercussão entre os grandes nomes do tênis. Na última segunda-feira (17/2), foi a vez de Novak Djokovic se pronunciar sobre o caso, em coletiva de imprensa antes do ATP 500 de Doha.
O sérvio expressou confiança no italiano, mas criticou as regras do antidoping e apontou descontentamento no circuito, destacando a necessidade de mais transparência nos processos.
Líder do ranking mundial, Sinner aceitou um período de suspensão de três meses, até 4 de maio, após testar positivo duas vezes para clostebol em março de 2024. O julgamento do caso estava previsto para abril de 2025, mas com o acordo, a apelação foi retirada, encerrando o processo no último sábado (15/2). Djokovic ressaltou que a forma como o caso foi tratado gerou desconfiança entre os jogadores e expôs falhas no sistema antidoping.
“O problema é a falta de confiança dos jogadores na WADA e na ITA, bem como em todo o processo. Ou aceitamos que todos os casos sejam transparentes ou devem permanecer em sigilo até serem resolvidos. No momento, não tenho uma opinião formada… Acho que é importante abrir a discussão”, afirmou Djokovic.
Tratamentos distintos também foi abordado pelo sérvio
Ele também questionou a disparidade no tratamento de casos semelhantes, sugerindo que a influência e os recursos financeiros dos jogadores podem afetar os resultados das decisões.
“Parece quase que você pode influenciar o resultado se for um jogador de topo e tiver acesso aos melhores advogados. Sinner e Iga Swiatek são inocentes, isso foi provado”, comentou. “Ainda assim, Jannik terá uma suspensão de três meses por erros e negligência de membros de sua equipe, que estão no circuito. Isso é algo que, pessoalmente, eu e muitos outros jogadores achamos estranho”.
Djokovic, com 24 títulos de Grand Slam e um dos fundadores da Professional Tennis Players Association (PTPA), afirmou ter conversado com vários jogadores sobre o tema nos últimos meses, revelando que a insatisfação é generalizada.
“Conversei com vários jogadores no vestiário, não apenas nos últimos dias, mas também nos meses anteriores. A maioria não está satisfeita com a forma como todo o processo foi conduzido e acha que não foi justo. Muitos acreditam que houve favorecimento.”
Ele comparou o caso de Sinner com outros incidentes, especialmente o de Simona Halep, suspensa por quatro anos após duas violações, mas que conseguiu reduzir a pena para nove meses, e o de Tara Moore, suspensa em 2022 após uma investigação de 18 meses, sendo mais tarde absolvida quando um tribunal concluiu que o teste positivo foi causado por carne contaminada.
Djokovic apontou que jogadores menos conhecidos enfrentaram dificuldades maiores para resolver seus casos, reforçando a necessidade de uma reformulação no sistema para maior justiça e transparência.
“Vimos os casos de Simona Halep, Tara Moore e outros tenistas menos conhecidos, que lutaram por anos para resolver seus casos ou foram suspensos por longos períodos. Acho que é hora de agir e revisar o sistema, porque está claro que a estrutura não está funcionando”, disse o sérvio.