Carlos Alcaraz já sabe o motivo que causou a eliminação em Indian Wells

A atuação irregular de Carlos Alcaraz na semifinal de Indian Wells contra o britânico Jack Draper deixou o bicampeão visivelmente frustrado. Em entrevista oficial, o espanhol revelou que passou o sábado inteiro muito nervoso, inclusive durante o aquecimento, o que impactou diretamente seu desempenho na partida.

Hoje foi um dia difícil para mim. Não treinei bem e não me senti confortável na quadra. Mesmo no aquecimento, cometi muitos erros e não consegui encontrar meu ritmo nos golpes. Por isso passei tanto tempo conversando com Juan Carlos (Ferrero), pois estava irritado comigo mesmo pela forma como treinei. Não encarei a partida da melhor maneira. Estive nervoso o dia todo, inclusive antes do jogo, e isso me afetou”, explicou.

Ao analisar o que poderia ter feito melhor, Alcaraz destacou o aspecto emocional como fator determinante. “Essa derrota dói muito. Ninguém gosta de perder, mas essa foi especialmente difícil para mim. Houve muito nervosismo. O que eu poderia ter feito de diferente? Apenas jogar meu próprio tênis e entrar em quadra com mais tranquilidade. Essa foi a grande diferença”, avaliou o atual número 3 do mundo.

Mas o que teria causado tanto descontrole? “Sempre digo que preciso focar no meu próprio jogo, mas hoje estive mais preocupado com o nível e o estilo de jogo do Draper do que com o meu. Isso foi um grande problema. Fiquei pensando mais nas fraquezas dele do que nos meus pontos fortes. Quando você se preocupa mais com o adversário do que consigo mesmo, a situação se complica. Desde a manhã, minha cabeça estava nisso. Draper é um oponente muito sólido, e eu fiquei remoendo isso o tempo todo. Foi um grande erro”, admitiu.

Forma de encarar a partida irritou o espanhol

Para Alcaraz, o pior não foi a derrota em si, mas a forma como encarou o desafio. “Claro que queria conquistar meu terceiro título consecutivo aqui, mas sei que não posso ganhar todas as partidas. O que mais me incomoda não é a derrota, mas a maneira como me senti durante o dia todo, sem conseguir relaxar. Esse é o sentimento mais frustrante: provavelmente joguei um dos piores sets da minha carreira, o primeiro set”, desabafou, referindo-se ao 6/1 aplicado por Draper.

Na visão do espanhol, seu adversário também não teve uma atuação brilhante. “Não acho que ele jogou seu melhor tênis hoje, e acho que todos puderam ver isso. Foi uma partida em que quem melhor se adaptasse às condições sairia vitorioso, e ele fez isso. Já havia dito a ele, na Austrália, que logo estaria onde merece estar. Ele tem nível para ser top 10, para jogar finais de Masters 1000. Nunca duvidei do seu talento. Ele está pronto para ficar no topo por muito tempo e para competir nos grandes torneios. Hoje, ele soube lidar com os nervos melhor do que eu”, reconheceu Alcaraz.

Apesar da frustração, o espanhol garante que superará rapidamente o momento. “Quanto tempo vou levar para me recuperar? Não muito. Me considero alguém que aprende com derrotas. Da última vez que perdi nas semifinais aqui, fui campeão em Miami logo depois. Então, vou com tudo. O tênis é um esporte de calendário intenso, quase sem pausas. Jogamos cerca de 16 a 18 torneios por ano, somando quase 80 partidas por temporada. Manter um alto nível o tempo todo é um dos maiores desafios. Tenho apenas 21 anos e ainda há muito para melhorar”, completou.

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